Faz hoje 46 anos que a Revolução dos Cravos nos trouxe a afirmação da Liberdade. Celebrar o 25 de Abril é celebrar a Liberdade através do estabelecimento de um Estado Democrático.

A Liberdade e a Democracia são hoje em dia e por quase todos, assumidas como dados adquiridos, o que para além de errado é perigoso. Os capitães de Abril diziam, no desenrolar da revolução, que ‘’ isto já não anda para trás.’’

Compreendendo o alcance daquela afirmação ouso, complementa-la com a afirmação que a Liberdade e a Democracia têm de ser construídas, têm de ser exercidas. Diz-se mesmo a este propósito que ‘’A Democracia é um processo no qual o processo é a própria Democracia.’’

Este princípio é ainda mais actual nos tempos e circunstâncias especiais que estamos a viver. Únicas. Um vírus que se propagou a todo o mundo e se transformou numa pandemia que está a afectar a nossa vida colectiva e por certo a transformará de modo permanente para o futuro.

Vivemos hoje entre o desejo de voltarmos ao que eramos e o medo de perdermos o que tínhamos por garantido. Vivemos um grande desafio e uma grande incógnita em que a autoridade do Estado, legitimada pela medicina, também renovada e reforçada, limitou a liberdade individual. Não podia ser de outra maneira, aliás.

Mas há 100 anos a gripe espanhola reforçou as pulsões securitárias e nacionalistas da Europa.

Convém estar atento e vigilante para nos defendermos daqueles que à boleia deste evento e, suportados no medo e na necessidade de medidas de reforço do Estado, podem querer impor restrições impossíveis noutras circunstâncias, podem querer levar-nos para onde não queremos voltar.

E ainda daqueles que, hoje sem discurso, mansos, dizendo que este é o momento de serem solidários, mantêm os olhos bem abertos à espera do deslize. E o deslize chegará com a fatura desta crise; e não faltará a estafada conversa sobre o Estado gordo num épico esquecimento de quem sustentou a comunidade no entretanto.

A pandemia reforça governos, mas a recessão, que se espera, ameaça derrubá-los.

Acredito que as reservas de autoridade do Estado não são tanto as polícias e os políticos, mas os próprios cidadãos quando interagem com o governo, quando de forma esclarecida e informada exercem a Liberdade e assim reforçam a Democracia.

O exercício da Liberdade e o reforço da Democracia irão favorecer um Estado forte, mais solidário e afastar as tendências totalitárias que os tempos possam vir a favorecer. Hoje, como sempre, valores a defender.

Viva o 25 de Abril, Viva a Liberdade, Viva a Democracia!

Miguel Almeida

25/04/2020