A Rua de Ateães é uma verdadeira viagem ao passado, onde a tradição e a história se entrelaçam com a vida quotidiana. Esta zona histórica começou a ter forma no início do século XX, profundamente ligada à agricultura. Eram tempos em que as casas de lavoura dominavam a paisagem, e os agricultores vendiam os seus produtos à porta. Até aos anos 90, a rua era um ponto de comércio local, com uma mercearia e um mercado de fruta e legumes que davam vida àquele lugar.

A arquitetura da Rua de Ateães reflete a sua história: casas em pedra robusta, com majestosas entradas em arco que, outrora, acolhiam carros de bois e animais de trabalho. Os portões largos e os pátios comuns definem o conceito das típicas casas em “ilha”, onde várias famílias vivem há gerações, criando um espírito comunitário único.

Ao percorrer esta antiga rua, encontramos ainda as imponentes casas de pedra que descem a encosta desde o Largo da Costa até à Fonte de Baixo. Acompanhando este percurso, corre um antigo curso de água que, em tempos, irrigava os campos cultivados e abastecia dois lavadouros públicos, essenciais para a vida diária da comunidade.

As pontes que marcam esta paisagem foram construídas nos anos 50, aproveitando a estreiteza da rua para facilitar a passagem e suavizar a descida acentuada da encosta. Hoje, estas pontes ganham um brilho especial na noite da procissão das velas, quando os moradores e familiares as enfeitam com devoção, mantendo viva a tradição e o encanto deste pedaço da história de Ateães.